quinta-feira, 1 de maio de 2008

Resenha

ECLESIOLOGIA PAULINA.

ROLOFF, Jürgen. A Igreja no Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal/CEBI, 2005, 108-120.

Segundo Jürgen Roloff é importante para a compreensão do tema deste artigo, o entendimento dos dois textos da Carta de Coríntios (1Co10:16s e em 1Co12:12-26). Pois neles podem ser reconhecidos os dois componentes que concorrem para a noção de corpo de Cristo: a idéia da participação sacramental no corpo eucarístico de Cristo e a idéia do organismo, no qual os membros cooperam. Mas há um terceiro texto, em Rm12:5.

De acordo com o autor a base da argumentação do apóstolo é a convicção de que toda ceia cultual coloca os participantes numa comunhão compromissiva – no caso da ceia do Senhor é a comunhão com Cristo, no caso das divindades pagãs inexistentes, a comunhão com os poderes demoníacos que se ocultam atrás destas.

Para Paulo de maneira alguma parte de uma concepção eclesiológica de corpo previamente dada, por exemplo, como se pelo comer e beber das dádivas sacramentais a pessoa tomasse parte, em termos ontológicos, da forma pneumática do Redentor e assim fosse transformada para dentro dele. Com isso o Jürgen Roloff revela duas razões determinantes que levaram a transposição do conceito “corpo” para a comunidade.

Conforme Jürgen Roloff para o apóstolo Paulo, o conceito “corpo” está ligado à idéia do organismo; pois, como mostra a contraposição “os muitos” ou “todos” - “um único pão” ou “um só corpo”, ele pretende dizer que os crentes são ligados em nova unidade pela dádiva do sacramento. A unidade nesta questão não tem haver como superação das diferenças que até aquele momento caracterizavam a convivência, através da nova identidade “em Cristo”, mas como viabilização de uma convivência moldada a partir de Cristo. Portanto o conceito “corpo” representa aqui a unidade funcional do organismo. Para realizar essa segunda intenção ele pode apoiar-se num tema central da tradição eucarística mais antiga: a entrega da vida por parte de Jesus pelos “muitos” como viabilização da reunião dos que estão longe de Deus para participarem da salvação do tempo final.

Vale destacar o conceito de koinonía como forma social para Paulo. Trata-se aí de desvirtuamentos no culto eucarístico, que se haviam formado na esteira da compreensão eucarística de cunho fortemente individualista e sacramentalista dos coríntios. É verdade que se tinha a ceia do Senhor em alta conta como alimento pneumático, do qual se esperava que nutrisse o indivíduo com a força vital divina; porém o que faltava na comunidade a se reunir para a ceia era o comportamento fraterno compatível com essa ceia. Em Corinto, seguindo o costume protocristão geral, a ceia do Senhor era realizada no contexto de uma refeição.

O autor do artigo demonstrou a eclesiologia paulina de forma resumida e com muita clareza. Penso que a estrutura do artigo poderia ser mais bem formatada. Ele explorou muito bem as facetas da Igreja. Vale uma analise para a estrutura atual da Igreja, que muitas das vezes tem sido uma estrutura mortal que não traz consigo a vitalidade do Evangelho de Cristo.

Precisamos repensar ações da Igreja como um corpo. Um corpo que agem um prol de um único propósito. Paulo nos ensina que a igreja é o espaço previamente determinado por Cristo. Ela não surge da união de indivíduos que se solidarizam numa ação comum, mas unicamente do fato de Cristo congregar pessoas, através do batismo, numa unidade nova, determinada pelo Espírito único. Desta forma testemunhamos a sociedade a koinonía que fomos chamados

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