ECLESIOLOGIA PAULINA.
ROLOFF, Jürgen. A Igreja no Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal/CEBI, 2005, 108-120.
Segundo Jürgen Roloff é importante para a compreensão do tema deste artigo, o entendimento dos dois textos da Carta de Coríntios (1Co10:16s e em 1Co12:12-26). Pois neles podem ser reconhecidos os dois componentes que concorrem para a noção de corpo de Cristo: a idéia da participação sacramental no corpo eucarístico de Cristo e a idéia do organismo, no qual os membros cooperam. Mas há um terceiro texto, em Rm12:5.
De acordo com o autor a base da argumentação do apóstolo é a convicção de que toda ceia cultual coloca os participantes numa comunhão compromissiva – no caso da ceia do Senhor é a comunhão com Cristo, no caso das divindades pagãs inexistentes, a comunhão com os poderes demoníacos que se ocultam atrás destas.
Para Paulo de maneira alguma parte de uma concepção eclesiológica de corpo previamente dada, por exemplo, como se pelo comer e beber das dádivas sacramentais a pessoa tomasse parte, em termos ontológicos, da forma pneumática do Redentor e assim fosse transformada para dentro dele. Com isso o Jürgen Roloff revela duas razões determinantes que levaram a transposição do conceito “corpo” para a comunidade.
Conforme Jürgen Roloff para o apóstolo Paulo, o conceito “corpo” está ligado à idéia do organismo; pois, como mostra a contraposição “os muitos” ou “todos” - “um único pão” ou “um só corpo”, ele pretende dizer que os crentes são ligados em nova unidade pela dádiva do sacramento. A unidade nesta questão não tem haver como superação das diferenças que até aquele momento caracterizavam a convivência, através da nova identidade “em Cristo”, mas como viabilização de uma convivência moldada a partir de Cristo. Portanto o conceito “corpo” representa aqui a unidade funcional do organismo. Para realizar essa segunda intenção ele pode apoiar-se num tema central da tradição eucarística mais antiga: a entrega da vida por parte de Jesus pelos “muitos” como viabilização da reunião dos que estão longe de Deus para participarem da salvação do tempo final.
Vale destacar o conceito de koinonía como forma social para Paulo. Trata-se aí de desvirtuamentos no culto eucarístico, que se haviam formado na esteira da compreensão eucarística de cunho fortemente individualista e sacramentalista dos coríntios. É verdade que se tinha a ceia do Senhor em alta conta como alimento pneumático, do qual se esperava que nutrisse o indivíduo com a força vital divina; porém o que faltava na comunidade a se reunir para a ceia era o comportamento fraterno compatível com essa ceia. Em Corinto, seguindo o costume protocristão geral, a ceia do Senhor era realizada no contexto de uma refeição.
O autor do artigo demonstrou a eclesiologia paulina de forma resumida e com muita clareza. Penso que a estrutura do artigo poderia ser mais bem formatada. Ele explorou muito bem as facetas da Igreja. Vale uma analise para a estrutura atual da Igreja, que muitas das vezes tem sido uma estrutura mortal que não traz consigo a vitalidade do Evangelho de Cristo.
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