quinta-feira, 1 de maio de 2008

HISTÓRIA DA IGREJA NA AMÉRICA LATINA

1. Questões introdutórias e periodizações

Para Wachholz devemos começar pela compreensão de Jesus Cristo e história. Fundamental é partir do pressuposto de que Jesus Cristo se encarnou, ou seja, se fez história, o que significa que Ele se sujeitou ao destino histórico, imposto por toda a humanidade. Ou seja, Jesus se fez história na história humana. A história tem o seu inicio com a encarnação de Cristo Jesus.

A Igreja deve fazer parte da história, pois ela não se encontra acima deste mundo, mas participa do destino condicionado pela História. Sendo envolvida pelos aspectos sociais, políticos, culturais e econômicos da época. Como diz o professor Wachhlz, a Igreja do século XXI está condicionada com este século e deve responder aos desafios deste século; isso obviamente não significa um rompimento essencial da mensagem original! Se a Igreja está sujeita a uma forma variavelmente condicionada pela História, então não podemos realmente conhecer e compreender a Igreja se não conhecermos sua história. A Igreja deste século precisa corresponder com os desafios deste século. Tendo em vista, que a História da Igreja é um elemento fundamental na elaboração da Teologia. Sendo a história toda obra do Senhor da História Jesus Cristo.

A Igreja se omitiu em determinados momentos da História na América Latina. A Igreja perdeu ao dividir a compreensão da história em um dualismo. Até o Iluminismo, falava-se de uma compreensão dualista de história. Imaginavam-se duas histórias: história profana e história metafísica, verdadeira, sagrada. A primeira era o lugar da contemplação da segunda. Somente com o Iluminismo, a Igreja passou a ser vista como associação de pessoas, perdendo seu caráter a-histórico e imutável. A partir de então, foi possível estudar a Igreja como objeto histórico e passível de crítica. Na atualidade precisamos fazer uma crítica ao atual movimento protestante para que enxerguemos quais são os reais desafios desse período a Igreja. As idéias do autor d artigos são claras e coerentes com realidade da Igreja na América latina.

O acontecer histórico é um contínuo sem rupturas. A história não tem descanso, não tem domingos. Mas a ciência histórica precisa efetuar cortes, marcar certos limites, indicar “figuras” ou épocas. Isso, contudo, implica em estabelecer critérios. Assim, por exemplo, coloca-se a questão se os acontecimentos intra-eclesiásticos devem ser o ponto de partida e critérios exclusivos para a periodização ou se fatores políticos, culturais e econômicos devem ser os referenciais primeiros.

Existem histórias na América Latina que consideram como critérios para periodização o tempo do reinado de soberanos da Espanha. Outras seguem a tradicional divisão política da história da América entre época colonial e época independente.

Acontecimentos extra-eclesiais sempre acabam prevalecendo na história da Igreja. Isso é assim, pois vem confirmar a própria natureza da Igreja que não é uma sociedade fundada com um fim em si, mas “para o mundo”. Não podemos considerar que a Igreja é uma instituição histórica com autonomia própria. Mas esta autonomia não é absoluta, porém relativa.

Portanto, não se deve imaginar uma periodização “puramente eclesiástica”. Dussel, por exemplo, lembra que nos navios onde vêm missionários, vão também a imprensa, os livros, os bispos nomeados na Península, as armas, os canhões, os produtos tropicais, etc. Assim, diferentes elementos interagem de forma que, a rigor, não se pode desconsiderar alguns fatores em favor de outros.

A Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina (CEHILA), fundada em 1973, adotou acontecimentos políticos para determinar a periodização. Ainda assim, considera estes acontecimentos como não exclusivos, pois a Igreja tem dinâmica própria e, portanto, determinada autonomia.

Visando ao estabelecimento de uma periodização para a História da Igreja, Enrique Dussel propôs uma tríplice distinção: 1) Épocas, que se caracterizam por blocos históricos maiores; 2) Períodos, que se caracterizam como etapas mais curtas dentro das épocas e, 3) Fases (ou momentos) que se constituem em subdivisões dos períodos.

Nenhum comentário: