segunda-feira, 24 de março de 2008

OS PASTORES DE BUSH

Bush, cinco anos depois.
Ricardo Gondim.

Meia década desde que caiu o primeiro petardo estadunidense sobre o Iraque, tenho vontade de escrever um texto com um, “Eu não disse?”.

Os argumentos mentirosos de que o exército de Saddam Hussein estocava Armas de Destruição em Massa, os delírios de que um novo Hitler ameaçava a humanidade, a farsa de que o Iraque servia de santuário para a Al-Qaeda, não se sustentaram. Bastaram alguns meses de ocupação e evidenciou-se que a doutrina Bush foi um embuste monumental.

O Oriente Médio ficou mais perigoso, Osama Bin Laden sobreviveu (resta esperar e ver se, num espetacular golpe para eleger o herdeiro republicano, vão prendê-lo); o tecido social do Iraque se rasgou; a frágil comunidade cristã sofreu horrores; xiitas e sunitas se enfrentaram em conflitos fraticidas; crianças, mulheres e idosos não sabem para onde fugir.

O mundo protestou, a Onu negou o seu aval, o Papa pediu, mas não adiantou, Bush, assessorado pela pior laia, sabia-se certo, certíssimo, de sua missão divina. Ele se sentia um escolhido de deus (assim, minúsculo) para exportar a democracia Made in USA e pacificar o mundo na ponta da baioneta. Mas, só nas regiões que interessassem o império; outros ditadores, até piores que Saddam, permaneceram intocados.

Para o horror da história, grandes segmentos evangélicos apoiaram, abençoaram e incentivaram essa famigerada empreitada.

O suporte veio de um segmento evangélico fundamentalista, moralista e anacrônico; que, exaurido em sua credibilidade, deixou claro como o céu de Bagdá quando explode uma mega-bomba, que é sal que perdeu o sabor.

Os pastores que nas vésperas da invasão legitimaram, na CNN, os atos do sinistro Bush têm suas mãos sujas de sangue inocente. Nunca os esquecerei: Max Lucado, John McArthur e Bob Jones.

Para eles, não adianta arrependimento - a Bíblia adverte que os líderes evangélicos passarão por mais severo juízo. Nenhum pedido de arrependimento da parte deles devolverá braços e pernas do menino que, além de aleijado, perdeu toda a família; nenhuma lágrima apagará os abusos de Abugraib; não há reunião de oração que devolva a vida de 4.000 soldados americanos e 90.000 civis iraquianos.

Hoje, em sinal de luto, não subscreverei “Soli Deo Gloria”.


ctrl+c = ctrl+v DO RICARDO GONDIM

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