Para Wachholz devemos começar pela compreensão de Jesus Cristo e história. Fundamental é partir do pressuposto de que Jesus Cristo se encarnou, ou seja, se fez história, o que significa que Ele se sujeitou ao destino histórico, imposto por toda a humanidade. Ou seja, Jesus se fez história na história humana. A história tem o seu inicio com a encarnação de Cristo Jesus.
O acontecer histórico é um contínuo sem rupturas. A história não tem descanso, não tem domingos. Mas a ciência histórica precisa efetuar cortes, marcar certos limites, indicar “figuras” ou épocas. Isso, contudo, implica em estabelecer critérios. Assim, por exemplo, coloca-se a questão se os acontecimentos intra-eclesiásticos devem ser o ponto de partida e critérios exclusivos para a periodização ou se fatores políticos, culturais e econômicos devem ser os referenciais primeiros.
Existem histórias na América Latina que consideram como critérios para periodização o tempo do reinado de soberanos da Espanha. Outras seguem a tradicional divisão política da história da América entre época colonial e época independente.
Acontecimentos extra-eclesiais sempre acabam prevalecendo na história da Igreja. Isso é assim, pois vem confirmar a própria natureza da Igreja que não é uma sociedade fundada com um fim em si, mas “para o mundo”. Não podemos considerar que a Igreja é uma instituição histórica com autonomia própria. Mas esta autonomia não é absoluta, porém relativa.
Portanto, não se deve imaginar uma periodização “puramente eclesiástica”. Dussel, por exemplo, lembra que nos navios onde vêm missionários, vão também a imprensa, os livros, os bispos nomeados na Península, as armas, os canhões, os produtos tropicais, etc. Assim, diferentes elementos interagem de forma que, a rigor, não se pode desconsiderar alguns fatores em favor de outros.
A Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina (CEHILA), fundada em 1973, adotou acontecimentos políticos para determinar a periodização. Ainda assim, considera estes acontecimentos como não exclusivos, pois a Igreja tem dinâmica própria e, portanto, determinada autonomia.
Visando ao estabelecimento de uma periodização para a História da Igreja, Enrique Dussel propôs uma tríplice distinção: 1) Épocas, que se caracterizam por blocos históricos maiores; 2) Períodos, que se caracterizam como etapas mais curtas dentro das épocas e, 3) Fases (ou momentos) que se constituem em subdivisões dos períodos.
Pense Nisso,
Rafael S. Vaillant
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