quinta-feira, 11 de março de 2010

Não faça uma imagem do “Eu Sou”

Extraído por Nelson Costaj Jr.

Para muitas pessoas religiosas, a questão popular “O que faria Jesus?”, é essencialmente o mesmo que, “O que eu faria?”. Diante disso, Nicholas Epley, da Universidade de Chicago nos USA, decidiu pesquisar essa idéia através de um intrigante e controverso experimento. Através da manipulação psicológica e cérebro-exploração, ele descobriu que quando os americanos religiosos tentam inferir a vontade de Deus, eles praticamente inferem suas próprias crenças pessoais.

Estudos psicológicos comprovam que, quando se trata sobre a questão da fé, as pessoas são egocêntricas. Elas usam suas próprias crenças como ponto de partida. Epley constatou que o mesmo processo ocorre quando as pessoas tentam adivinhar a mente de Deus. As opiniões e atitudes no final, são reflexos das crenças que cada indivíduo tem. “As mesmas partes do cérebro humano que definem as crenças, são as mesmas partes que definem a vontade de Deus”, disse Epley.

A religião oferece uma bússola moral para muitas pessoas ao redor do mundo, que vão desde a questão do martírio à homossexualidade. Mas nessa pesquisa, Epley chama em questão esses valores, pois eles muitas vezes oferecem uma posição pessoal e não divina. Epley disse: “Quando uma religião define a vontade de Deus diante de certas questões importantes, ela no final produz uma câmara de eco para validar e justificar as suas próprias crenças.”

Epley, questionou diferentes grupos étnicos, para avaliar suas próprias crenças, sobre questões importantes como: aborto, casamento do mesmo sexo, ação afirmativa, a pena de morte, a guerra do Iraque, e a legalização da maconha. Diante das questões de Epley, tais voluntários especularam sobre Deus com ajuda de diferentes pensamentos. Eles utilizaram de pensamentos semelhantes aos de Bill Gates (uma celebridade com crenças relativamente desconhecidas) e de George Bush (uma celebridade cujas as posições são conhecidas). Naturalmente, a correlação não implica causalidade – ao invés dos voluntários exporem suas crenças em Deus, no final eles utilizaram das diferentes crenças em Deus para definirem o que criam.

Epley tentou controlar, pedindo para que seus recrutas falassem sobre suas próprias crenças primeiro, e depois apresentassem o Deus que criam aos outros em uma ordem aleatória. Como melhor evidência de causalidade, Epley mostrou que ele poderia mudar a opinião das pessoas sobre a vontade de Deus, através da manipulação de suas próprias crenças.

Epley fez muitos outros estudos com os voluntários, inclusive uma varredura cerebral com o auxílio da ressonância magnética diante de certas questões. Os resultados no final sugeriu que o cérebro envolve as mesmas peças, quando se tratava de definir Deus ou crenças. – Epley chega a considerar que interpretamos à Deus, com base em nossas experiências pessoais.

Essa pesquisa foi realizada somente com cristãos americanos, e não está clara se seus resultados seriam semelhantes com outras religiões. Mas ele suspeita que o subjacente processo seria semelhante. Epley disse : “Quando se trata de prever o que alguém faria, nós temos um bando de informações, ações, opiniões, estereótipos, limitações e opiniões contrárias disponíveis. É lógico por exemplo, que Barack Obama tem uma opinião liberal, porque ele é um democrata, porque ele expressa crenças liberais, e porque seus colegas dizem que ele é liberal. Ele mesmo pode confirmar isso. Mas diante de prever a vontade de uma divindade, as coisas complicam”.

As pessoas religiosas podem tentar consultar sua divindade através da oração, dos textos sagrados como a Bíblia ou Corão, ou até pedir ajuda para seus líderes e sacerdotes. Mas devido as diferentes opiniões sobre Deus numa mesma religião, essas fontes de informações, são inconsistentes. Esses líderes irão olhar para suas próprias crenças, para determinarem a vontade de Deus.

Isso é facilitado pelo fato de que, nós pensamos freqüentemente em deidades em termos humanos, apesar de sua onipotência e natureza abstrata. Claro, muitos filósofos chegaram lá primeiro. A própria palavra “antropomorfismo”, hoje usado principalmente no contexto de animais, foi cunhada por Xenófanes no século VI a.C, para descrever o fato de que os panteões de diferentes culturas, tendem a partilhar as suas características físicas. Outras pessoas como: Rousseau ,Twain e Voltaire, são creditadas com a linha: “Deus criou o homem à sua imagem, e o homem, sendo um cavalheiro, retornou o favor.”

Porém, os resultados de Epley são certos para acenderem uma polêmica, mas a lição mais importante é que, determinar Deus diante de uma crença específica, é se distanciar do próprio Criador. (Κή)


Fonte : Nicholas Epley.

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