quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Duas campanhas da AMB que entrarão para a história


O Judiciário começa uma nova era no nosso país.
Até a edição da CF de 1988 esteve em situação de inferioridade flagrante principalmente em face do Executivo (quem era juiz naquele tempo sabe disso) e ainda depende muito do Executivo (como todo mundo sabe).

Quanto ao Legislativo, muitas vezes o Judiciário fica em situação constrangedora, por ocasião, principalmente, da edição de leis que pertinem ao Judiciário (Reformas constitucionais do Judiciário, Leis de Organização Judiciária etc.).

Quando surgiu a campanha pelo impedimento das candidaturas de políticos processados por crimes contra a administração pública etc. muita gente não acreditava que surtiria algum resultado.
A idéia da divulgação da lista dos processados também não empolgou muita gente, no início.

Mas, à medida que os dias foram se sucedendo e as duas campanhas sendo mais conhecidas, apareceram mais e mais adesões.

Atualmente, várias entidades estão de mãos dadas nessa luta pela cidadania.

Por fim, alguns políticos se enfureceram contra as duas campanhas, considerando-se violentados no seu direito de concorrer às eleições.

Mas, deve-se esclarecer, o ideal do Judiciário é apenas trabalhar pela cidadania e não visa desmoralizar ninguém ou procurar notoriedade na mídia.

Nenhum de nós é candidato a qualquer cargo que seja e pretende apenas servir ao ideal de contribuir para a evolução do nosso país. O trabalho que se realiza neste momento vai entrar para a História do Brasil como um grande movimento de conscientização coletiva do respeito que se deve ter à coisa pública, aos cidadãos e à verdadeira dignidade de um país, que é pobre, mas que tem um futuro brilhante, uma importante missão a cumprir no concerto das nações.

Nosso país nasceu sob o signo do Cruzeiro do Sul e destinado a grandes feitos, que vêm sendo retardados pela corrupção e pelo desrespeito ao povo generoso que aqui habita.

Enquanto não exigirmos de nossos homens públicos a integridade moral no trato com o dinheiro público estaremos reféns do capital estrangeiro, que nos explora com o consentimento de quem deveria nos defender.

O baixo nível de instrução de grande parte do nosso povo tem servido de brecha que maus políticos utilizam para dominar largas faixas de poder, como se vivêssemos na época do Brasil-colônia.
Os tempos mudaram, não pode haver mais espaço para situações dúbias.

Atualmente exige-se dos servidores públicos (que vão do faxineiro ao Presidente da República) transparência e prestação de contas.
A Associação dos Magistrados Brasileiros está realizando um notável trabalho em favor da cidadania com essas duas campanhas.
Posso dizer que sinto-me orgulhoso de ser magistrado e estar participando dessas duas campanhas.

Envio de público meus sinceros parabéns ao Presidente da AMB - Mozart Valadares pela sua coragem e espírito público.



LUIZ GUILHERME MARQUES
Juiz de direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG)


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