segunda-feira, 7 de julho de 2008

Para o Pr. Ricardo Gondim

Escrevo este texto para o Pr. Ricardo Gondim, pastor titular da Igreja Assembléia de Deus Betesda em São Paulo.


Caro pastor Ricardo Gondim não posso pessoalmente me comunicar com você, pois quilômetros de distancias nos separam mas gostaria muito de me assentar ao seu lado para dizer tudo o que o senhor tem feito em minhas vida e ministério através de sua postagens. Como seria bom ter um pastor como o senhor por perto e como amigo. Mas sei que assim como eu existem milhares de jovens pastores, seminaristas e até pastores antigos de ministério desejam bater papo, pedir conselho, mentoria e até ajuda.
Vejo que temos muitas coisas em comum. Não alguém mais esse evangecalismo. Vejo com triste uma caminha muito sem graça que muito líderes tem tomada, se rotulando os porta-vozes de Deus e agindo com charlatanismo.
E nessa também minha confusão mental, nesse turbilhãoespiritual e nessa sofrida maratona, busco coragem para optar pelo sim ou pelo não.

Contudo, aceito sorrisos francos, abraços despretensiosos, mensagens redigidas com gramática ruim, bolos assados com carinho e telefonemas rapidinhos, só para saberem como estou. Rejeito amizades gasosas, textos canônicos, santos gabolas, sermões irretocáveis, certezas sobre a maldade alheia; enfim, hipérboles religiosas. Aceito fragilidades inconfessadas, discórdias leais, críticas honestas, ignorâncias sensatas, racionalidades humildes. Rejeito pedantismo acadêmico, erudição efetada, linguajar hermético, sabedoria presumida e preconceitos intelectuais.

Não perco mais o meu tem com o receio de melindrar os religiosos. Não tente perpetuar um sistema que já deu provas de estar cansado, desgastado e, pior, desacreditado. Se o seu alvo for a promoção de valores que ressaltem o propósito de Deus para a humanidade, não se deixe prender pelas camisas de força da religiosidade.

Aprendi com o Senhor Gondim que não devo perde o receio de melindrar os religiosos. Não tente perpetuar um sistema que já deu provas de estar cansado, desgastado e, pior, desacreditado. Se o seu alvo for a promoção de valores que ressaltem o propósito de Deus para a humanidade, não se deixe prender pelas camisas de força da religiosidade.

Aprendi com o Senhor Gondim, a fica inquieto; e reconhecer minhas dúvidas. Sinto que as respostas estereotipadas, e supostamente hegemônicas da religião, perdem fôlego dentro de mim. Ávido por saber, leio o que se escreve sobre Deus, sobre a saga humana e sobre a estupidez das lágrimas de crianças que morrem de forma ainda mais estúpida pelo mundo. O meu labor pessoal e minha busca frenética de entender os porquês, repousam sobre alguns pressupostos.


E por fim:

Preciso garimpar bons amigos.

E aprendi: Quero ser amigo de quem valorize a lealdade. Mesmo depois que ditadura militar soltou meu pai, o estigma de “subversivo” grudou-se nele. Um dia papai me contou, com lágrimas nos olhos, que seus antigos colegas da Aeronáutica desciam a calçada para não se verem obrigados a lhe cumprimentarem publicamente. Ainda guardo esse trauma e, sinceramente, não consigo lidar com amizades que só se mantêm por causa de conveniências, qualquer uma. Quero acreditar em amizades que não se intimidam com censuras, que não retrocedem diante do perigo e que não abandonam na hora do apedrejamento. Amigos não desertam.

Quero ser amigo de quem eu não precise me proteger e que não tenha medo de mim. Não creio em companheirismos repletos de suspeitas. Os grandes amigos são vulneráveis. Conversam sem se policiar, rasgam a alma e sabem que seus segredos jamais serão lançados em rosto ou expostos publicamente.

Quero ser amigo de quem não se melindra facilmente. Por mais que tente, continuo tosco; magôo com meus silêncios, com minha introspecção e, muitas vezes, com meus comentários ácidos e impensados. Portanto, preciso de amigos que tolerem minhas heresias, minhas hesitações e meus pecados. Busco amizades que agüentem o baque das minhas inadequações; que sejam teimosos.

Quero ser amigo e não um mero cúmplice de vocação. Já preguei em algumas igrejas que, depois que o pastor me deixou na calçada do aeroporto, nunca mais tive notícias dele ou de sua igreja. Não vou mais colocar meu nome em conferências e congressos que me dêem prestígio ou que eu só sirva para reforçar a programação.

Não tolero manifestações artificiais de coleguismo restritas a cultos festivos. Para mim, nada é mais ridículo do que proclamar que somos uma “só família” em Cristo, para depois sair criticando uns aos outros com farpas venenosas.

Quero ser amigo de quem não contenta em re-encaminhar mensagens re-encaminhadas de power-point. Também não gosto de cartões de aniversário com frases prontas e com obviedades.

Acredito que os verdadeiros amigos têm o que repartir e que sentem necessidade de expressar seus sentimentos, suas dúvidas e principalmente seus medos e desesperos. Amizades superficiais são mais danosas para o espírito do que inimizades explícitas.

Quero ser amigo de quem não é muito certinho. Não tolero conviver com quem nunca tropeça nos próprios cadarços, que nunca teve sonho erótico e que mantém a língua sob controle absoluto.

Vez por outra, gosto de relaxar, rir do passado, sonhar maluquices para o futuro e conversar trivialidades. Quero amigos que se deliciem em ouvir uma mesma música duas vezes para perceber a riqueza da letra; de comentar o filme que acabaram de assistir e o último livro que leram; e numa mesma conversa, elogiar e espinafrar políticos, pastores, atores, árbitros de futebol. Como é bom chorar com poesia!

Quero terminar meus dias e poder dizer que, mesmo descrendo das ideologias, dos sistemas econômicos e das instituições religiosas, cri em verdadeiras amizades porque tive bons amigos.

O Brasil precisa de mais Profetas-Pastores, do que Pastores-inquisitores.

Que Deus te use, abençoe e te renove cada dia mais.

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