Brasil deve mediar crise entre Colômbia e Equador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está tomando medidas diplomáticas para tentar solucionar a crise que se instalou entre Colômbia, Equador e Venezuela. Segundo Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, o governo brasileiro usará os canais diplomáticos para mediar os problemas políticos gerados após a operação militar colombiana que matou o número dois na hierarquia das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, em território equatoriano, no sábado (1º).
“O presidente Lula conversou com (o chanceler) Celso Amorim, que está tomando as medidas necessárias. Acho que nós vamos mobilizar toda a força da diplomacia brasileira e de outras capitais sul-americanas para reduzir ao máximo a tensão e procurar encontrar uma solução duradoura para esse problema”, disse Garcia em entrevista à Rádio CBN, nesta segunda-feira (3).
Garcia contou ainda que Lula tem o assunto na pauta para o encontro com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. “Há interesse do Chile também em coordenar as operações”, afirmou.
Agora, o mais importante é reduzir ao máximo a tensão”, disse. “Respeitamos as medidas dos países, não queremos interferir nas medidas internas, mas não podemos ser indiferentes”, completou.
A crise
Equador e Venezuela fecharam no domingo (2) suas embaixadas em Bogotá e enviaram tropas à fronteira com a Colômbia, elevando a crise diplomática gerada com a operação militar colombiana em território equatoriano, realizada no sábado (1º).
Já o governo da Colômbia acusou o presidente equatoriano, Rafael Correa, de ter compromissos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e revelou documentos que mencionam o interesse de Quito de manter relações com a guerrilha.
Em um comunicado lido pelo chanceler Fernando Araújo, o governo colombiano explicou que a entrada das tropas no Equador "foi indispensável para registrar o local de onde saíam os disparos e que foi atacado". Ele garantiu ainda que Reyes "comandava operações operações no sul do país e, clandestinamente, a partir do território equatoriano, sem o consentimento deste governo".
Reyes, que tinha 59 anos, era considerado um dos homens da linha dura das Farc e braço direito do fundador da guerrilha, Manuel Marulanda ("Tirofijo"), de quem era genro. Além disso, era a face visível das Farc, responsável pelos contatos políticos do grupo, especialmente no tema dos reféns.
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