Por Rafael S. Vaillant
INTRODUÇÃO
A neo-ortodoxia é uma reação direta e objetivas ao liberalismo, especialmente nas questões sobre o Jesus Histórico e o Cristo de Fé.
Eles desejaram afirmar que é possível chegar sim ao que disse Jesus, mesmo pelos evangelhos, mesmo por meio dos mitos, mesmo por meio das leituras feitas pelos evangelistas em um mundo helênico. Afirmar que Jesus é o messias e cumpriu as profecias do VT. Sua morte como fundamento da expiação e a reafirmação das teses da ortodoxia.
Mas eles foram reais combatedores do modernismo fundamentalista e suas expressões que negavam as conquistas das ciências bíblicas, quer as da crítica textual, quer as da crítica histórica. O espectro é vasto, pois há os que buscam a ipissíma vox de Jesus, aos que simplesmente entendem que a Bíblia, como Palavra de Deus, deve ser entendida, independente de encontrar-se ou não tal ipissíma vox.
O século XX, no seu início, teve uma característica semelhante à do século XIX. Na Europa era enorme a confiança numa filosofia e num sistema teológico “otimista”. No século XX, o liberalismo teológico-protestante enfatizava a possibilidade da humanidade despertar para uma nova época. Era uma realidade, onde surgiram inúmeros movimentos que acreditavam nas potencialidades humanas na tentativa de se consolidar a paz mundial. Entretanto, o que a Europa testemunhou foi o fracasso do liberalismo. As esperanças desse sistema foram minadas. As duas grandes guerras mundiais foram as causas principais do esfacelamento dos sonhos e do abalo do liberalismo teológico.
A Primeira Grande Guerra irrompeu durante o ano de 1914. Era comum entre os líderes cristãos europeus, o sentimento de evitar a guerra. E para isso, era necessário utilizar as relações internacionais das igrejas. A política era a de demonstrar o caráter supranacional da comunhão cristã.
Com o fracasso do liberalismo em responder às questões suscitadas pela guerra, o protestantismo carecia de uma teologia que o ajudasse a entender os acontecimentos da época. Recobrava-se, por causa da guerra, a percepção do poder do pecado. Nessa época o teólogo que mais contribuiu para dar respostas às essas questões foi Karl Barth, que desde o início do seu ministério se engajou nas questões sociais. Ele acreditava que o Reino de Deus seria estabelecido pelos sociais-democratas, mas a guerra destruiu os seus sonhos, e então, ele passou a entender que o Reino de Deus é uma realidade escatológica, que não surgiria do esforço humano. É atribuído a Karl Barth o começo de uma nova escola teológica denominada de “teologia dialética”, “teologia da crise”, ou ainda, “neo-ortodoxia”. Os pressupostos dessa escola não serão mencionados aqui, devido à natureza do presente trabalho. Vale salientar que se juntaram a Barth: Emil Brunner, Friedrich Gogarten e Rudolf Bultmann.
A principal obra de Karl Barth foi a “Dogmática Eclesiástica”, considerada como o “grande monumento teológico do século XX”. Enquanto preparava o primeiro volume dessa obra, na Alemanha Adolf Hitler chegava ao poder. Em 1933, o vaticano assinou uma concordata com o Reich. Já os protestantes estavam desprovidos de qualquer ferramenta teológica para se opor ao novo desafio. Para piorar, muitas igrejas assimilaram a crença na perfeição humana proclamada por Hitler. Os cristãos alemães afirmavam que Deus os havia escolhido para civilizar o mundo, e isso se dava através da pregação da mensagem sobre a superioridade racial alemã. Ainda em 1933, foi fundada a Igreja Evangélica Alemã Unida, que obedecia aos princípios estabelecidos pelo Reich.
Em 1934, vários líderes evangélicos, entre eles Barth, assinaram um manifesto contra os rumos que a Igreja Unida estava tomando. Foi publicada a Declaração de Barmen, cujas declarações se opunham aos desmandos de Adolf Hitler em nome do evangelho. Essa declaração possuía seis artigos com as seguintes idéias: 1) rejeita a idéia de qualquer revelação divina ao lado da Palavra de Deus em Jesus Cristo. “Jesus Cristo, como ele é testificado a nós pala Escritura Sagrada, é a única palavra de Deus, que devemos ouvir, confiar e obedecer na vida e na morte”; 2) rejeita a idéia de que há áreas da vida que não estão sob o senhorio de Jesus Cristo – tal como a política; 3) rejeita a idéia de que “a igreja ode mudar de posição na forma de sua mensagem e ordenanças à sua escolha ou de acordo com alguma convicção ideológica dominante e política”; 4) rejeita a idéia de que a igreja deve seguir o estado nazista em adotar o “princípio Führer” – estabelecendo poderosos governantes da igreja a parte do ministério pastoral regular, contrário a Mateus 20.25-26; 5) rejeita a idéia de que o estado deve tentar usurpar as funções da igreja (tornando-se a única e total ordem da vida humana) ou que a igreja deve expandir seus deveres aos negócios do estado e assim, “tornar-se ela própria um órgão do estado”; e 6) rejeita a idéia de que a missão da igreja pode ser sujeita a alvos mundanos. A reação do Reich contra a Declaração de Barmen consistiu em prender, recrutar e até mesmo exterminar pastores que apoiassem a Declaração.
No regime de Hitler se destacou a figura do teólogo Dietrich Bonhoeffer (1906-1945). Bonhoeffer chegou a fazer parte de uma conspiração para assassinar Hitler, mas em abril de 1943 foi preso pela Gestapo. Após dois anos na prisão, Bonhoeffer foi julgado e condenado à morte. Foi enforcado em 1945, alguns dias antes do final da guerra.
Na América eram comuns também os vários movimentos que lutavam pela paz mundial. A teologia liberal também se fazia presente, ajudando a promover a paz mundial. A priori, a sociedade americana condenou a guerra e apoiou as negociações de tratados de paz, para que as nações resolvessem pacificamente as suas diferenças. Um exemplo disso é o fato dos secretários de Estado norte-americanos terem negociado perto de cinqüenta tratados.
Todavia, com a deflagração da guerra em 1914, esse otimismo em relação à paz cessou. O presidente Woodrow Wilson elaborou uma declaração de neutralidade, que foi apoiada pelas igrejas. Paulatinamente, o sentimento americano em relação à guerra foi mudando, conseqüentemente, os sentimentos dos crentes também mudaram. Isso por causa de uma forte propaganda que “interpretava a guerra em termos espirituais de uma luta para salvar a civilização cristã dos ‘hunos’, os alemães”.[1] Em 1916, a opinião da grande maioria dos pastores presbiterianos era favorável à entrada dos Estados Unidos na guerra. O que anteriormente era um sentimento de hostilidade contra a guerra, transformou-se numa noção de “guerra santa”. Os pastores abençoaram a espada como um instrumento adequado para estabelecer o Reino de Deus. As igrejas enviaram capelães para os exércitos. Conta-se também, que um renomado pastor se referiu aos soldados alemães como “cobras cascavéis” e “hienas”.
Quando foi deflagrada a Segunda Guerra Mundial, as igrejas americanas já estavam mais conscientes do seu papel diante da guerra. Não havia nenhum sentimento como o de 1914, de se fazer uma “guerra santa”. Não apenas nos estados Unidos, mas também em países como a Noruega e a Holanda, as pessoas sofreram por sua fé, e mostravam uma relutância enorme em participar da guerra. O sentimento era de unidade entre todos os cristãos. As maiores denominações protestantes dos Estados Unidos levantaram mais de cem milhões de dólares para assistência e reconstrução das igrejas que foram destruídas por ocasião da guerra. Apesar de não se curvarem ao estado durante a Segunda Guerra, as igrejas continuaram cedendo capelães para as forças armadas e auxiliando a Cruz Vermelha na assistência aos necessitados.
2 - GRANDES TEÓLOGOS NEO-ORTODOXOS
2.1- Karl Barth
Desde a publicação de Der Romerbrief (1919) até a conferência ecumênica de Amsterdã (1948), Barth foi o teólogo mais admirado, influente e seguido na Igreja evangélica.
Bart nasceu na Basiléia em 10 de maio de 1886. Sua origem suíça é digna de nota: durante o período nazista colocou-o em condições de opor-se a Hitler sem graves conseqüências; o máximo que o nacional socialismo pode fazer contra ele foi repatriá-lo. Da Suíça Barth herdou também muitas convicções políticas e sociais: o apego à democracia, ao conservadorismo, a desconfiança em relação aos blocos políticos, uma propensão para a neutralidade entre Rússia e Estados Unidos.
Filho de pais protestantes recebeu sua educação religiosa inicial na igreja reformada. Essa educação deixou fortes marcas em sua mente, às quais podem ser percebidas em toda sua produção teológica.
Seus estudos teológicos iniciados em sua pátria, em Berna, foram prosseguidos na vizinha Alemanha, tendo passado pelas universidades de Berlim, Marburg e Tubingen. Seus professores foram os mestres mais celebres do ultimo liberalismo teológico.
No transcorrer dos seus estudos universitários Barth conheceu Eduard Thurneysen, o qual se manteve por toda vida o seu amigo de todas as horas, o companheiro indefectível de sua aventura teológica.
Ao concluir seus estudos foi convidado a ser assistente da paróquia reformada suíço–alemã de Genebra. Em 1911, foi promovido pastor de Safenwill, onde transcorreram os dez anos decisivos da maturação de seu pensamento teológico.
Sua obra principal foi a Dogmática Eclesiástica, contudo, ele escreveu uma vastíssima quantidade de obras teológicas, às quais podem ser divididas em quatro grupos: obras exegéticas, históricas, eclesiásticas e políticas. Barth morreu na Basiléia em 10 de dezembro de 1968, deixando a mulher e quatro filhos.
Para que entendamos a razão pela qual o barthianismo veio a se chamar neo-ortodoxia é preciso que lembremos o momento histórico em que ele surgiu.
Após a Reforma, durante os séculos dezessete e dezoito, a Igreja protestante foi largamente influenciada por idéias originadas do Iluminismo. O racionalismo desejava submeter todas as coisas ao crivo da análise racional. Lentamente a razão humana começou a triunfar sobre a fé. O filósofo L. Feuerbach tentou transformar a teologia em antropologia, dizendo que tudo que se diz sobre Deus, na verdade, é dito sobre o homem. Ele influenciou grandemente K. Marx, S. Freud, R. Bultmann e F. Schleiermacher. Esse último desvinculou a fé cristã da história e da teologia, reduzindo a experiência religiosa ao sentimento de dependência de Deus. Somente depois ficaria evidente que era impossível construir uma teologia em cima de um terreno tão subjetivo, mas na época, e por mais de um século, Schleiermacher foi seguido por muitos e sua influência continua até hoje.
Na mesma época, surgiu o método histórico-crítico de interpretação da Bíblia, que negava a inspiração divina de seus livros e tratava-a como meros registros humanos falíveis e contraditórios da fé de Israel e dos primeiros cristãos. A confiança na Bíblia foi tremendamente abalada.
Esses desenvolvimentos dentro da Igreja e o movimento que surgiu associado a eles foi chamado de liberalismo. O liberalismo tinha uma perspectiva elevada do homem e acalentava a esperança de que o Reino de Deus poderia ser implantado nesse mundo mediante os novos conhecimentos científicos e tecnológicos trazidos pelo Iluminismo. Com isso, o Evangelho perdeu a sua exclusividade e força. A Igreja começou a secularizar-se, particularmente na Europa.
Então veio a I Guerra Mundial. As esperanças do liberalismo teológico e do humanismo em geral foram esmagadas. Perplexidade e confusão dominaram os cristãos da Europa. Surge a teologia da crise.
Foi nesse vácuo de referencial e autoridade que soou a voz de Karl Barth. Ele atacou o subjetivismo da religiosidade liberal, originada em Schleiermacher, porque se apoiava nas experiências e emoções humanas e não na verdade de Deus. Barth criticou a rendição da Igreja à psicologia e exigiu que ela se curvasse somente diante da absoluta autoridade da Bíblia. Não poupou críticas virulentas contra os críticos da Bíblia, especialmente por terem destruído a autoridade da Bíblia, deixando-a sem relevância para as pessoas de sua época e deixando a Igreja sem uma mensagem autoritativa.
Barth proclamou a necessidade de se ouvir outra vez a voz de Deus na Escritura, Deus esse que nos fala hoje, de maneira soberana. Seu apelo foi para que deixassem Deus ser Deus e que a Igreja retornasse às coisas divinas.
Barth se levantou contra tudo que era humano e que havia prevalecido dentro da Igreja desde a Reforma, começando com a religiosidade subjetiva de Schleiermacher, passando pelas idéias dos críticos, dos humanistas, até os conceitos dos liberais de seus dias. Ele queria que teólogos se ocupassem com as coisas divinas em vez de serem exclusivamente historiadores, arqueólogos, filósofos e cientistas da religião. Seus textos e mensagens vieram recheados de referências e exegese de textos bíblicos, que ele citava como autoridade.
Barth pregava fervorosamente sobre justificação, pecado, graça, eleição, temas fundamentais do pensamento reformado. Não demorou para que sua reação contra o liberalismo e seu apelo de retorno à Bíblia fosse entendido por muitos, liberais e conservadores, como o ressurgimento da antiga ortodoxia cristã, reinterpretada e adaptada à nova realidade, uma nova ortodoxia.
O impacto da neo-ortodoxia de Barth se fez sentir em todos os lugares. Muitos liberais foram obrigados a rever suas idéias e modificá-las. Muitos conservadores abraçaram a neo-ortodoxia, pois ela por um lado os tornava respeitáveis intelectualmente (por acreditarem na evolução e em alguns aspectos da crítica bíblica), e por outro, permitia que continuassem a usar a mesma linguagem dos evangélicos ortodoxos.
2.2- Rudolf Bultmann
Sacudiu o mundo teológico nada menos do que duas vezes durante esse século. A primeira vez foi quando se deu sua conversão à teologia dialética, introduzindo-a na exegese bíblica, então conduzida segundo os princípios da critica histórica liberal, o método histórico morfológico (Formgeschicte). A segunda vez foi quando inventou a teoria da demitização. Por estes dois títulos, o método histórico-morfológico e a demitizaçao, ele já era no passado e ainda mais no presente uma das figuras mais significativas do século XX.
Rudolf Karl Bultmann nasceu em Wiefelstede (Oldenburg), na Alemanha, em 20 de agosto de 1884. Filho mais velho de um ministro da Igreja Luterana, nasceu num ambiente profundamente religioso. Cursou a escola primária em Rastede, para onde seu pai fora transferido. Já o ginásio e o liceu, freqüentou em Oldenburg. No liceu além dos estudos de religião destacou-se também no estudo do grego e da história da literatura alemã.
Ao concluir o liceu, iniciou seus estudos teológicos na Universidade de Tubingen, em 1903. No ano seguinte passou para a Universidade de Berlim e dois anos depois para a de Marburg. Foi ali que em 1910, licenciou em teologia com a tese: O Estilo da Pregação de Paulo e a Diatribe Cínico – estóica, e dois anos mais tarde obteve a livre docência, com uma dissertação sobre a exegese de Teodoro de Mopsuestia.
Seus mestres foram homens de clara fama liberal e de orientação histórico crítica e sua produção literária é altamente significativa e leva a marca de um estudioso consciencioso, atento, agudo, profundo, genial, dotado de uma bagagem crítica, filosófica e também filológica incomum.Durante sua velhice Bultmann, foi atormentado por várias doenças, entre as quais a cegueira; morreu em 30 de julho de 1976.
2.3- Dietrich Bonhoeffer
É universalmente considerado como um dos principais precursores e promotores do movimento do “Ateísmo Cristão”, ou como também é chamado, da teologia da morte de Deus.
O conteúdo do pensamento de Bonhoeffer é Cristo. Ele é um defensor convicto de um cristocentrismo apaixonado, exigente, absoluto, completo. Para nenhum outro teólogo moderno, Cristo é uma realidade tão viva e próxima, real e transformadora, como para ele. Baseia-se em Cristo, toda realidade e toda espiritualidade. E desenvolve a doutrina da igreja particularmente no que se refere a Cristo.
Nasceu em Wroclaw (al.: Breslau), em 4 de fevereiro de 1906, de uma família da alta burguesia. Seu pai era um grande médico psiquiatra e neurologista. Sua mãe, Paula Von Hase, era filha de um capelão da corte imperial e neta de um célebre historiador da Igreja.
Passou a maior parte da juventude em Berlim, com seus sete irmãos e irmãs, dedicando-se ao estudo, a música e ao esporte. Bem dotado em todos esses campos, como estudante distinguia-se por uma extraordinária capacidade de concentração.
Com dezesseis anos decide ser pastor, e no outono de 1923, ingressa na universidade de Tubingen para iniciar seus estudos teológicos, seguindo os cursos de A. Schlatter, V. Heitmuller e K. Heim. Nos anos seguintes ele segue com assiduidade os cursos dos dois expoentes máximos do renascimento da teologia luterana, Karl Holl e Reinhold Seeberg.
Em virtude das circunstâncias, a produção teológica de Dietrich não pode assumir proporções muito vistosas, não podendo absolutamente competir em quantidade com um Barth ou um Rahner. Elas se reduzem a uma dezena de ensaios, e alguns artigos e conferências e à correspondência, que foram reunidos em quatro volumes.
No início de 1945, Bonhoeffer é transferido da prisão berlinense para o campo de concentração de Buchenwald, onde tem por companheiros de cela algumas das mais altas personalidades políticas e militares da Alemanha e alguns dos mais ilustres prisioneiros de guerra. Um deles, Payne Best, do serviço secreto aliado, o qual nos deixou preciosas informações sobre nosso teólogo: “o pastor Bonhoeffer pronunciou-nos um breve sermão, falando de modo que tocou o coração de todos nós e encontrando as palavras adequadas para exprimir o espírito de nossa condição e os pensamentos e propósitos que ela determinara em nós. Nem bem ele concluiu a última oração quando a porta foi escancarada; entraram dois homens à paisana e de aspecto malvado dizendo: prisioneiro Bonhoeffer, prepare-se para vir conosco. Aquelas palavras – venha conosco- já tinham assumido para nós um único significado: a forca. Despedimos. Ele se retirou dizendo: “Isto é o fim.” depois acrescentou prontamentre: “Para mim é o inicio da vida.”. No dia seguinte, 9 de abril, foi enforcado. Estava com 39 anos”.
2.4- Paul Tillich
Em muitos círculos, Paul Tillich é hoje considerado como o maior teólogo protestante do nosso século. Já alguns anos um dos mais competentes teólogos norte-americanos, Gustaw Weigel, escreveu sobre ele: “Esse homem é extremamente significativo para a teologia ocidental. Ele é a figura mais impressionante da teologia protestante hodierna, embora se discirna por um grande número de nomes insignes, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos”.
Paul Johannes Tillich nasceu em 20 de agosto de 1886 em Starzeddel, um pequeno povoado da Alemanha sententrional, filho de pais protestantes; o pai era pastor da Igreja Luterana. Realizou seus primeiros estudos em Schoenfliess- Neumark, para onde o pai se transferira. Com doze anos de idade, ingressou no Gymnasiun da vizinha cidade de Konigsberg. Em Berlim o jovem concluiu seus estudos liceais e iniciou os universitários em 1912, dedicou-se a cura de almas até a eclosão da Primeira Guerra.
A produção literária dele é considerável: mais de quatrocentos escritos. Do ponto de vista cronológico, divide-se em dois grupos: alemão e norte americano.
Depois de um inicio difícil e penoso o pensamento de Tillich começou a encontrar admiradores e seguidores, depois da Segunda Guerra, eles crescem tanto a ponto de fazer de Tillich o teólogo mais influente e admirado nos Estados Unidos. Por isso, em 1955, a Universidade ofereceu-lhe um lugar entre os seus estudiosos que trabalham nas “fronteiras da ciência”. Tillich assumiu a cátedra teológica mais ambicionada dos Estados Unidos. Nela, durante os últimos de sua vida pode pregar a sua mensagem teológica à fina flor dos universitários americanos e de todo o mundo. Depois de ter deixado Havard por limite de idade, ainda ensinou por alguns meses em Chicago. Em 23 de setembro recebeu o Prêmio da Paz das mãos do presidente da Associação dos Editores Alemães. Morreu em 22 de outubro de 1965, em Chicago, deixando sua mulher, Hannah, uma filha, Erduthe Farris, e um filho, René Stephen.
2.5- Pierre Tielhard de Chardin
Jesuíta, teólogo, e paleontólogo, Pierre Tielhard Chardin (1881- 1955), escolhera o ensino acadêmico e iniciara sua atividade de docente como professor adjunto de geologia no Institut Catholique de Paris. Viveu na China, com periódicos estados em Paris e deslocamentos para outras partes do mundo, por cerca de 20 anos, de 1926 a 1946, empenhado no trabalho cientifico de pesquisa e catalogação de material paleontológico e em missão de estudo. Volta a Paris assim que termina a Segunda Guerra Mundial, mas, pouco depois em 1950, logo após a publicação da encíclica Humani Generis, deve retomar o caminho do exílio, transferindo-se para New York, onde continua sua atividade de pesquisador e onde a morte o colhe no dia de Páscoa de 1955.
Autor de numerosos artigos científicos, durante sua vida, foi lhe praticamente impossível obter autorização das autoridades religiosas para publicar os ensinos em que delineava sua visão visão filosófica – religiosa. A publicação póstuma de suas obras, que em duas décadas atingiu treze volumes, entre 1955 e 1976, deu origem a um grande debate que arrebatou muitos espíritos.
2.6- Gustavo Gutierrez
Considerado por muitos o primeiro teólogo sistemático ou até mesmo “o pai” da teologia da Libertação, Gutierrez organizou e fez avanços no pensamento latino americano com respeito ao lugar da teologia “no processo histórico da libertação”.
Hoje ele é visto internacionalmente como o maior porta voz da teologia latino-americana. De descendência ameríndia e criado em Lima. Estudou primeiro psicologia na Universidade de San Marcos. Mais tarde interessou-se por teologia, e estudou em Louwain, Lyon e Roma. Depois de voltar ao Peru (1959), foi ordenado sacerdote católico. Na década de 60 reagiu contra a teologia intelectual do primeiro mundo, por sua falta de compromisso histórico. Ativo no CELAM II em Medelin (1968), Gutierrez tornou-se conhecido internacionalmente com seu livro Teologia de La Libertácion (1971). Dentre uma pluralidade de atividades, ele é professor de Teologia e Ciências Sociais na Universidade Católica em Lima, onde estabeleceu o Centro de Bartolomé de Las Casas, em lembrança do famoso padre defensor dos índios no século XVI. Autor de dezenas de livros e artigos e membro da diretoria da revista teológica internacional Concilium, Gutierrez é popularmente conhecido por conferencias teológicas tanto na América Latina como no restante do mundo. Como pessoa ele é humilde e sensível, como teólogo é brilhante e cauteloso.
2.7- Jurgen Moltmann
Nasceu em 1926 em Hamburgo. De 1945-1948 foi prisioneiro de guerra na Bélgica e na Grã-Bretanha. Foi durante este tempo que chegou à fé cristã, assim tornando-se “a primeira ovelha negra de sua iluminada família de Hamburgo”. Em 1952, após estudar teologia se tornou pastor. Atuou como professor no seminário da igreja em Wuppertal em 1958, e em 1967, professor de teologia sistemática na Universidade de Jubinger.
Moltmann é um escritor prolífico. Suas principais obras dividem-se em dois grupos. O propósito das três primeiras, foi “olhar a teologia como um todo de m ponto de vista particular. Estes volumes contêm algum discernimento brilhante e fresco na fé cristã, mas também sofrem de uma inevitável imparcialidade proveniente de uma única perspectiva. Daí em diante ele inicia uma série de contribuições sistemáticas à teologia, sob o titulo geral de “Teologia Messiânica”.
3. TEMA DA NEO-ORTODOXIA
3.1- A Crise modernista Fundamentalista.
Um movimento que surgiu nos EUA durante e imediatamente após a Primeira Guerra Mundial, a fim de reafirmar o Cristianismo protestante ortodoxo e de defende-lo dos desafios da teologia liberal, da alta crítica alemã, do darwinismo e de outros pensamentos considerados danosos para o cristianismo norte-americano. A partir de então, o enfoque do movimento, o significado do termo e as fileiras do que se dispõem a usar o termo como identificação mudaram várias vezes.
O fundamentalismo até o nosso tempo, já passou por quatro fases de expressão, embora mantenha uma continuidade essencial de espírito, crença e método.
Durante a década de 1920, a fase inicial, envolveu a articulação daquilo que era fundamental ao cristianismo e o inicio de uma batalha urgente para expulsar das igrejas os inimigos do protestantismo ortodoxo.
No fim da década de 1920 até o inicio dos anos 40, os que militaram pelos fundamentalistas tinham fracassado na tentativa de expulsar os modernistas de qualquer denominação. Além disso, perderam a batalha conta o evolucionismo. Os protestantes ortodoxos que ainda dominavam numericamente todas as denominações, agora começavam a lutar entre si mesmos. Durante a depressão da década de 1930, o termo “fundamentalista” paulatinamente mudou de significado, a medida em que veio a ser aplicado a um só partido entre aqueles que acreditavam nos fundamentos tradicionais da fé. Nesse ínterim, a neo-ortodoxia associada com a critica de Karl Barth conta o liberalismo, achou adeptos nos EUA.
No inicio da década de 1940 a até a década de 1970, os fundamentalistas estando assim, redefinidos, dividiram-se paulatinamente em dois arraiais. Havia aqueles que, voluntariamente continuavam a empregar o termo para se referir a si mesmos, equiparando-se com o verdadeiro cristianismo fiel à Bíblia. Havia outros que vieram a considerar indesejável o termo, por ter conotações de “divisor”, “intolerante”, “anti-intelectual”, despreocupado com os problemas sociais, e até mesmo “tolo”. Este segundo grupo queria reconquistar a comunhão com os protestantes ortodoxos que ainda constituíam a vasta maioria dos clérigos e do povo nas grandes denominações do norte. Durante a década de 1940 começaram a se chamar de “evangelicais” e a equiparar aquele termo com o cristianismo verdadeiro. A partir de 1948 uns poucos se chamavam de neo-evangelicais.
Nos fins da década de 1970 e a década de 1980, os fundamentalistas entraram numa fase nova. Destacaram-se nacionalmente por oferecerem uma resposta àquilo que muitos consideravam uma suprema crise social, moral, econômica, e religiosa nos EUA. Identificavam um novo inimigo, mais difuso – o humanismo secular que, segundo acreditavam era responsável por subverter escolas, universidades, o governo e acima de tudo as famílias. Lutaram contra todos os inimigos que considerassem rebentos do humanismo secular - o evolucionismo, o liberalismo, político e teológico, a moralidade pessoal frouxa, a perversão sexual, o socialismo, o comunismo e qualquer diminuição da autoridade absoluta e inerrante da Bíblia. Conclamavam os norte-americanos a voltarem aos fundamentos da fé e aos valores morais fundamentais dos EUA.
A neo-ortodoxia, na verdade, era uma tentativa de síntese entre a ortodoxia da Igreja e o liberalismo teológico, e sem dúvida alguma, nessa síntese, o liberalismo perdeu sua força. Mas, não só ele – a ortodoxia também já não seria a mesma.
BIBLIOGRAFIA
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Disponível em: http://tempora-mores.blogspot.com/2006/05/por-que-o-barthianismo-foi-chamado-de.html em 07/12/2007.
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