quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A QUEBRA DOS PARADIGMAS

A QUEBRA DE PARADIGMAS

Surge uma pergunta: O que é paradigma? Segundo o Dicionário Larousse (1992) paradigma é uma palavra de origem grega (gr. Paradeigma) que dizer modelo, padrão, norma e\ou exemplo. Podemos apresentar uma lista de palavras que se associam ao conceito de paradigma. São elas: Teorias, Modelos, Métodos, Princípios, Padrões, Estruturas, Rotinas, Costumes, Convenções, Tratados, Dogmas, Declarações, Doutrinas, Regras, Valores, Tradições e Regras.

Paradigmas são padrões que devem ser seguidos. Podemos compreender também como as fronteiras dentro da qual a conquista e as soluções para as diversidades devem ser achadas. Paradigma pode ser as verdades válidas, que se fixaram na mente da humanidade como verdades absolutas e que indicam um jeito de ser, viver ou fazer determinadas coisas.

Estas últimas décadas do século XX são caracterizadas por mudanças rápidas e profundas, os avanços científicos, tecnológicos, as tecnologias de informação, os vários campos de estudos, as várias religiões, traz-nos uma contestante quebra de paradigmas para a nossa sociedade. Gostaria de mencionar algumas destas características destas mudanças em nosso tempo. O calapso das Crenças, a busca por novidades Exóticas, a descrença nas Instituições, a necessidade de Escandalizar, a vida Individualista, hedonista e narcisista, a falta de uma Cosmovisão, a perda do sentido de História, a substituição da ética pela estética, a crise aguda de falta de pertença, a pluralidade ideológica e cultural.

Estas mudanças quebram os velhos paradigmas. Mas novos paradigmas surgem quando alguém descobre um jeito diferente de encarar ou fizer alguma coisa. Depois de repetidas experiências surgem os novos paradigmas, eles acabam por se instalar como regras que dá uma aparência de coisas absolutas, até que alguém as quebre, gerando outros e novos paradigmas.

A vida é composta por paradigmas. Não há possibilidade alguma de o ser humano viver sem os paradigmas. É impossível viver sem regras e padrões de raciocínio. Nesse caso, devemos verificar constantemente se nossos paradigmas estão sendo eficazes à realidade. E aqueles que não têm obtido sua eficiência devem ser reavaliados.

Nesse caso, a quebra de paradigmas deve ser norteada pelos mais elevados valores morais de uma sociedade, o Amor. O amor é o mais elevado valor moral de uma sociedade, é ele que traz o equilíbrio e o limite, pois é como uma ecologia em nosso interior. Penso que o segredo para lidar em um mundo de constantes mudanças é necessário nos preservar em nosso ecobiologia interior. Para encerar este artigo convido você a refletir sobre um texto do escritor Frei Betto que diz:

"Por um minuto, esquece a poluição do ar e do mar, a química que contamina a terra e envenena os alimentos, e medita:

Como anda o teu equilíbrio ecobiológico? Tens dialogado com teus órgãos interiores? Acariciado o teu coração? Respeitas a delicadeza de teu estômago? Acompanhas mentalmente teu fluxo sanguíneo?

Teus pensamentos são poluídos? As palavras, ácidas? Os gestos, agressivos? Quantos esgotos fétidos correm em tua alma? Quantos entulhos - mágoas, ira, inveja - se amontoam em teu espírito? Examina a tua mente.

Está despoluída de ambições desmedidas, preguiça intelectual e intenções inconfessáveis? Teus passos sujam os caminhos de lama, deixando um rastro de tristeza e desalento? Teu humor intoxica-se de raiva e arrogância?

Onde estão as flores do teu bem-querer, os pássaros pousados em teu olhar, as águas cristalinas de tuas palavras? Por que teu temperamento ferve com freqüência e expele tanta fuligem pelas chaminés de tua intolerância?

Não desperdiça a vida queimando a tua língua com as nódoas de teus comentários infundados sobre a vida alheia. Preserva o teu ambiente, investe em tua qualidade de vida, purifica o espaço em que transitas.

Limpa os teus olhos das ilusões de poder, fama e riqueza, antes que fiques cego e tenhas os passos desviados para a estrada dessinalizada dos rumos da ética. Ela é cheia de buracos e podes enterrar o teu caminho num deles.

Tu és, como eu, um ser frágil, ainda que julgues fortes os semelhantes que merecem a tua reverência. Somos todos feitos de barro e sopro.

Finos copos de cristal que se quebram ao menor atrito: uma palavra descuidada, um gesto que machuca, uma desconfiança que perdura. Graças ao Espírito que molda e anima o teu ser, o copo partido se reconstitui, inteiro, se fores capaz de amar. Primeiro, a ti mesmo, impedindo que a tua subjetividade se afogue nas marés negativas. Depois, a teus semelhantes, exercendo a tolerância e o perdão, sem jamais sacrificar o respeito e a justiça.

Livra a tua vida de tantos lixos acumulados. Atira pela janela as caixas que guardam mágoas e tantas fichas de tua contabilidade com os supostos débitos de outrem. Vive o teu dia como se fosse a data de teu renascer para o melhor de ti mesmo - e os outros te receberão como dom de amor.

Pratica a difícil arte do silêncio. Desliga-te das preocupações inúteis, das recordações amargas, das inquietações que transcendem o teu poder. Recolhe-te no mais íntimo de ti mesmo, mergulha em teu oceano de mistério e descobre, lá no fundo, o Ser Vivo que funda a tua identidade. Guarda este ensinamento: por vezes é preciso fechar os olhos para ver melhor.

Acolhe a tua vida como ela é: uma dádiva involuntária. Não pediste para nascer e, agora, não desejas morrer. Faze dessa gratuidade uma aventura amorosa. Não sofras por dar valor ao que não merece importância. Trata a todos como igual, ainda que estejam revestidos ilusoriamente de nobreza ou se mostrem realmente como seres carcomidos pela miséria.

Faze da justiça o teu modo de ser e jamais te envergonhes de tua pobreza, de tua falta de conhecimentos ou de poder. Ninguém é mais culto do que o outro. O que existem são culturas distintas e socialmente complementares. O que seria do erudito sem a arte culinária da cozinheira analfabeta? Tua riqueza e teu poder residem em tua moral e dignidade, que não têm preço e te trazem apreço.

Porém, arma-te de indignação e esperança. Luta para que todos os caminhos sejam aplainados, até que a espécie humana se descubra como uma só família, na qual todos, malgrado as diferenças, tenham iguais direitos e oportunidades. E estejas convicto de que convergimos todos para Aquele que, supremo Atrator, impregnou-nos dessa energia que nos permite conhecer a abissal distância que há entre a opressão e a libertação.

Faze de cada segundo de teu existir uma oração. E terás força para expulsar os vendilhões do templo, operar milagres e disseminar a ternura como plenitude de todos os direitos humanos. Ainda que estejas cercado de adversidades, se preservares a tua ecobiologia interior serás feliz, porque trarás em teu coração tesouros indevassáveis."

(Ecologia Interior, Frei Betto)

Que você possa se encontrar em meio a tantas mudanças. Não se esquecendo que o homem pode encontrar e criar novos paradigmas, mas se ele não for capaz de quebra o maior de todos os paradigmas, o lidar com você mesmo, dificilmente será capaz de enfrentar paradigmas maiores. E somente no Amor que terás força e coragem.

Quebre o seu maior paradigma!


Um comentário:

Rodrigo disse...

ótimo esse texto de Frei Betto, já salvei aqui em meu computador! é algo de que devemos nos lembrar sempre, um novo paradigma a ser adotado, por uma vida feliz independente das condições.
Parabéns pelo blog, ótimo post!